Excertos traduzidos de "Mystiques d'Orient et d'occident"
“Assim como o piloto de um navio tem os olhos fixados nas estrelas, assim também o monge, em sua contemplação interior, ao longo de seu caminho, é atento à meta que se fixou em seu intelecto, o primeiro dia em que resolveu ir no mar tão duro da hesychia, até que tenha encontrado a pérola para qual mergulhou nas profundezas insondáveis do mar”. (Isaque de Nínive)
Esta imagem parabólica da pérola , Isaque a toma dos Hinos da Pérola de Efrem de Tiago de Saroug. Em Efrem são os apóstolos que mergulharam no mar para retirar a pérola do Cristo, em Isaque de Nínive, o mergulhador, é o monge; e a hesychia, é ao mesmo tempo “o mar tão duro” e o “porto dos mistérios”.
Em outro Discurso, Isaque diz:
A hesychia é o tesouro onde o monge guarda a pérola que encontrou: o Cristo. A hesychia não é a meta: a pérola é o Cristo, mas ela é o tesouro que guarda a pérola, e se o monge perdesse este tesouro, ele perderia a pérola. Mas o que é a hesychia?
A hesychia é a princípio a renúncia ao mundo e o repouso em Deus.
Isaque emprega uma imagem maternal para exprimir a necessidade de desapego do mundo para a união a Deus. O homem deve “se desapegar” da terra maternal, como o pequenino dos seios da mãe, para se abrir ao divino e repousar nele. Esta imagem tão original da fuga do mundo como rompimento prossegue pela evocação da fome do mundo, fome de pão e de palavra. ë preferível para o monge de “satisfazer aqueles que têm fome no mundo” por seu ensinamento ou permanecer, longe do mudo, na hesychia? A resposta de Isaque estabelece uma ordem de preferência:
A hesychia é preferível a toda obra beneficente, nutrir os corpos e os espíritos, e a toda obra de poder, como ressuscitar os mortos. A força das comparações demonstra a grandeza e a seriedade da hesychia: a experiência das coisas de Deus está acima de tudo e ela exige que se sacrifique tudo a ela.